Análise da Evolução das Emissões de GEE no Brasil (1990-2012) Setor Industrial

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No final de 2013, por uma iniciativa pioneira do Observatório do Clima, foi publicado o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Esse instrumento, além de importante sob a perspectiva do acesso à informação ambiental, tornou possível, por meio dos dados e informações por ele disponibilizados, a realização de um conjunto de análises e avaliações sobre os principais setores emissores de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil. Nesse processo, o Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) prestou o auxílio técnico de levantamento e sistematização dos dados de emissões de Processos Industriais e elaboração das respectivas notas metodológicas e análise de qualidade dos dados. Todos os dados estão disponíveis no sitehttp://seeg.observatoriodoclima.eco.br.

As emissões por processos industriais foram contabilizadas em sete ramos industriais: siderurgia, alumínio, cimento, químico, cal, vidro e de produção de gases de refrigeração não controlados pelo Protocolo de Montreal (HFC, PFC e SF6). Embora represente um número relativamente pequeno de unidades industriais, comparado ao universo industrial brasileiro, elas são responsáveis por 97% das emissões industriais de gases de efeito estufa, quando consideradas conjuntamente as emissões dos processos industriais e as provenientes da queima de combustíveis fósseis (derivados de petróleo, carvão mineral e gás natural) nas mesmas plantas industriais.

A metodologia usada para estimar as emissões de GEE pelo SEEG foi definida pelo IPCC em 1996 e, posteriormente, atualizada em 2006. Uma das preocupações presentes na elaboração da metodologia é evitar a dupla contagem dos GEE, por isso, as emissões que ocorrem através do uso ou processamento de matérias-primas foram separadas das que ocorrem por consumo de energéticos2. No entanto, se essa metodologia estabelece um procedimento cuidadoso na contabilização das emissões industriais, ela não é interessante para analisar possíveis políticas públicas dirigidas às emissões de GEE pelas industriais, uma vez que nesse momento, o que conta são as emissões totais de GEE das plantas industriais, onde processos industriais e consumo de energéticos se somam para compor as unidades (plantas) industriais.

As emissões de gases de efeito estufa por processos industriais estão intrínseca e diretamente relacionadas à produção bruta de cada um dos ramos de atividade em que ela ocorre. Por se tratar de um conjunto de indústrias que fornece insumos e materiais para a cadeia de produção industrial (aço e cimento para a construção civil, matérias-primas para a indústria de plásticos e de tecidos sintéticos etc.), esse segmento está positivamente correlacionado ao crescimento de outros segmentos como as indústrias da construção civil e a automobilística. Ao se analisar uma cadeia industrial – por exemplo, na produção de automóveis desde as matérias-primas até a sua oferta para os consumidores –, é visível que as indústrias de transformação (siderurgia, química etc.) constituem os elos em que ocorrem as maiores emissões. Isso pode ser verificado pela comparação entre as emissões de GEE que estão mostradas no SEEG, onde a siderurgia, o cimento, a produção de cal e a química, somadas, respondem por mais de 81% do total das emissões industriais brasileiras, quando consideradas juntas as emissões por processos industriais e por queimas de combustíveis.

Este documento analítico tem como objetivo relatar o atual cenário das emissões brasileiras nas indústrias, focando as emitidas em processos industriais , somadas àquelas provenientes do consumo de de combustíveis. Traduz, assim, um olhar sobre os principais desafios e caminhos para que parte importante do setor industrial se torne mais ambientalmente sustentável. Isso, levando em conta o atual cenário econômico, o que possibilita uma análise transversal das emissões com vistas à identificação de ações e políticas públicas efetivas para a implantação de uma economia de baixo carbono.

Nesse cenário, é preciso atentar para um conjunto de fatores que têm pressionado, no passado recente e no presente, a indústria de transformação para um fraco desempenho. Todas as análises e dados apresentados neste documento tomaram como premissa e refêrencia as próprias informações do SEEG, bem como relatórios, textos e estudos técnicos relativos aos processos industriais.

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