Estimativas gerais

Estimativas gerais

O Brasil passou de um total de 1,39 bilhão de toneladas de carbono equivalente em emissões brutas de gases do efeito estufa, em 1990, para 1,49 bilhão t CO2e em 2012, um aumento de 7%. No mundo, no mesmo período, as emissões cresceram 37% e passaram de 38 para 52 bilhões t CO2e. 

A evolução das emissões durante os 22 anos analisados neste Sistema de Estimativas de Emissões de Gases do Efeito Estufa – SEEG não foi linear. Devido aos altos e baixos verificados no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas, onde são computadas as emissões relativas ao desmatamento, os totais brasileiros variaram muito, tendo alcançado o seu maior pico em 2004, com 2,9 bilhões de t CO2e. Desde então os totais vêm caindo, acompanhando a expressiva redução do desmatamento da Amazônia. 

Evolução das Emissões Brutas de GEE no Brasil de 1990 a 2012 (t CO2e)

Evolução das emissões brutas de GEE no Brasil por setor (t CO2e)

Quando consideradas as remoções por mudança de uso do solo, a curva de emissões tem uma redução de 240 a 317 milhões de t CO2e por ano. As remoções começaram a ser calculadas a partir do 2º inventário e incluem processos como crescimento de floresta, transformação de pastagens em atividades agrícolas perenes e aumento de estoque de CO2 em florestas naturais. 

Quando considerada a evolução de cada um dos cinco setores separadamente, porém, verifica-se queda de emissões (de 42% entre 1990 e 2012) apenas no setor de Mudanças de Uso da Terra, enquanto nos demais setores há uma tendência nítida de aumento das emissões, com forte pressão do setor de Energia, cujo incremento no período chegou a 126%. Nos setores de Processos Industriais e Resíduos, as emissões aumentaram respectivamente 65% e 64% e, no setor Agropecuário, a alta registrada foi de 45%.

Evolução das Emissões Brutas de GEE por Setor entre 1990 e 2012 (t CO2e)

Em todo o período 1990 a 2012, somente em 2009 houve redução das emissões somadas de todos os setores (exceto Mudanças de Uso da Terra) como consequência da crise econômica global, deflagrada no segundo semestre de 2008. Mas já em 2010, as emissões subiram a um patamar superior ao de 2008 e seguiram nesta tendência crescente até 2012. 

Evolução das emissões brutas de GEE no Brasil por tipo de gás (t)

Evolução das emissões brutas de GEE no Brasil por tipo de gás (t CO2e)

Três gases – dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) – perfazem 99,8% das emissões brasileiras em CO2e. 

O CO2 representa 64,4% das emissões totais e tem como principais fontes a queima de combustíveis fósseis e as mudanças de uso do solo.

Já o CH4 representa 21,1% das emissões totais em CO2e  e tem como principais fontes a produção pecuária (79,8%) e o tratamento de resíduos (12,2%). Observa-se também que é nas emissões de CH4 que faz mais diferença o uso de diferentes padrões de conversão em carbono equivalente, sendo que o GTP resulta em uma emissão significativamente menor. Isso explica porque países com grandes rebanhos, como Brasil e Austrália, preferem a utilização do padrão GTP, embora mundialmente o padrão GWP seja mais utilizado.

Participação dos diferentes setores nas emissões de CO2, CH4 e N2O em 2012 (t)

O N2O tem como principal fonte de emissão (quase 91%) a adubação de solo – tanto com dejetos animais como por fertilizantes nitrogenados.

Para entendimento de algumas atividades, de forma integrada, é possível fazer três cortes importantes a partir dos dados levantados, considerando as emissões decorrentes das atividades agropecuárias, industriais e de transportes. Nestes cortes somam-se as emissões consideradas separadamente nos cinco setores, por questões de metodologia do estudo.

Emissões de GEE em 2012 distribuídas pelos principais setores econômicos (t CO2e)

O setor do agronegócio representa, nesta abordagem, 59% das emissões totais do Brasil. São incluídas, neste corte, as emissões dos processos de produção agropecuária, queima de combustíveis fósseis para energia no setor e boa parte das emissões por mudança de uso do solo.

O setor industrial, se incorporadas as emissões para geração de energia e resíduos, chega a 12% do total das emissões brasileiras, contra 5,4%, quando se consideram apenas os processos industriais específicos.

Já o setor de transportes, sozinho, representa em torno de 14% do total de emissões, ainda que parte do setor de transporte atenda as demandas da agropecuária e da indústria. A maioria das emissões do setor de transportes decorre do uso de diesel no transporte de carga.