Energia

Tomando como referência o ano de 2014, as principais fontes primárias de energia utilizadas no Brasil são petróleo (39,4%), cana-de-açúcar (15,7%), gás natural (13,5%), hidráulica (11,5%), e lenha (8,1%). As demais fontes representaram, no conjunto, apenas 11,8%.

Apesar da predominância do petróleo e do crescente uso do gás natural, a matriz energética brasileira ainda apresenta uma elevada participação de fontes renováveis (39,4%), se comparada com a média mundial, que é de aproximadamente 14%. Também apesar do rápido crescimento da geração termelétrica a combustíveis fósseis observada nos últimos anos, em relação à matriz de geração elétrica, a participação de fontes renováveis continua predominante, representando 73,1% da oferta interna de eletricidade em 2014, distribuída entre hidráulica (63,2%), biomassa (7,8%) e eólica (2,1%). A matriz fortemente renovável garante ao país uma posição confortável perante as nações desenvolvidas quando estão em pauta as emissões de gases do efeito estufa do Setor de Energia.

A análise da evolução das emissões, no entanto, pede mais atenção, caso o comportamento observado nos últimos anos se consolide, indicando uma redução dessa zona de conforto.

No subsetor de transportes, a curva de consumo de combustíveis fósseis – puxada pelo óleo diesel e, mais recentemente, também pela gasolina – é francamente ascendente, apesar da importância da produção de etanol e de biodiesel. Entre 1970 e 2014, as emissões de CO2e cresceram 450%.

No que se refere à geração de eletricidade, a participação de fontes não renováveis também tem crescido de modo significativo, representando, em 2014, 26,9% do total gerado, contra 12,9% em 2011, de acordo com o Balanço Energético Nacional (BEN) 2015.

Emissões Brutas de GEE no Setor de Energia (kt)

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Em relação às emissões nacionais brutas de gases do efeito estufa, o setor de Energia participou com 8,0 bilhões de toneladas de carbono equivalente (t CO2e). No período 1970-2014, as emissões passaram de 114,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente para 479,1 milhões de t CO2e, um crescimento de 319%. Apenas entre 2010 e 2014 o crescimento foi de 30,2%.

Emissões brutas de GEE no Setor de Energia (kt CO2e)

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Quanto à queima de combustíveis na indústria, as emissões aumentaram 270% entre 1970 e 2014, quando então atingiram 75,1 Mt CO2e, correspondendo a 16,7 % do Setor de Energia. Em função do elevado consumo de combustíveis fósseis, destacaram-se neste setor a produção de cimento (16,4 Mt CO2e) e a indústria química (76,0 Mt CO2e). Ainda que os ramos industriais responsáveis pela produção de metais tenham significativa participação no consumo de combustíveis fósseis na indústria, como termo redutores em fornos, suas emissões são contabilizadas no setor de Processos Industriais e Uso de Produtos, de modo a evitar dupla contagem nas estimativas.

No Setor de Energia estão incluídas as seguintes atividades geradoras de emissões de gases de efeito estufa (GEE): exploração e extração de fontes primárias de energia; conversão de fontes primárias em fontes secundárias (refinarias de petróleo, unidades produtoras de biocombustíveis, centrais de geração de energia elétrica, etc.) e consumo final de energia em aplicações móveis ou estacionárias.

As estimativas são agrupadas em duas categorias: queima de combustíveis e emissões fugitivas, estas últimas ocorrendo na extração de carvão mineral e na indústria de petróleo e gás natural.

Queima de Combustíveis Fósseis

Nos processos de combustão que ocorrem em caldeiras, fornos, motores de veículos; para gerar energia elétrica; para manter em operação os processos industriais, etc, são emitidos gases de efeito estufa diretos – dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) – e indiretos – monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx) e compostos orgânicos voláteis não-metano (COVNM).

No caso da queima de biomassa (lenha, carvão vegetal, resíduos vegetais, lixívia, álcool e bagaço-de-cana), as emissões de CO2 não são contabilizadas no Setor de Energia, pois se considera que elas são compensadas pela fixação de carbono durante o crescimento das culturas agroenergéticas. As eventuais emissões associadas à conversão de florestas (nativas ou plantadas) em cultivos de cana, por exemplo, são computadas no setor de Mudanças do Uso da Terra. Convém destacar que o mesmo não se aplica aos demais gases de efeito estufa, que são contabilizados normalmente, a exemplo dos combustíveis fósseis.

Emissões Fugitivas

As emissões fugitivas decorrem de descargas, intencionais e não intencionais, de gases de efeito estufa – metano (CH4), dióxido de carbono (CO2) e óxido nitroso (N2O) – provenientes das etapas de extração, estocagem, processamento e transporte durante a produção dos combustíveis.

No caso do carvão mineral, o metano é resultante do processo de formação dos depósitos de combustíveis fósseis e escape durante a mineração. Além do metano, o dióxido de carbono é emitido por conta de combustões espontâneas que ocorrem nos depósitos de carvão mineral e nas pilhas de rejeito.

Quanto às emissões fugitivas da indústria de petróleo e gás natural, estas ocorrem em três áreas de atividade: extração e produção de petróleo e gás natural, refino de petróleo e transporte de gás natural em dutos. Nessas áreas de atividades são emitidos os três gases de efeito estufa direto (CO2, CH4 e N2O).

SOBRE OS CÁLCULOS

No Setor de Energia, os cálculos seguiram a metodologia do Painel Intergovenamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). As fontes de dados utilizadas foram: Balanço Energético Nacional (BEN) e Balanço de Energia Útil (BEU), publicados pelo Ministério das Minas e Energia (MME); Terceiro Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (MCTI, 2014); Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários 2013, Ano-Base 2012 (MMA), publicado pelo Ministério de Meio Ambiente (MMA) em 2014 e o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas da Aviação Civil 2014, Ano-Base 2013 (ANAC).