Metodologia

Como são produzidas as estimativas

As estimativas do SEEG 5.0, abrangem as emissões de GEE no período de 1970 a 2016 para todo os setores, com exceção de mudança de uso da terra, que abrange o período de 1990 a 2016.

A base metodológica das estimativas do SEEG é o 3º Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, publicado pelo MCTI em 2016.

Sem os inventários oficiais de emissões e respectivos relatórios de referência não seria possível desenvolver esta iniciativa do Observatório do Clima, pois a grande maioria dos fatores de emissão específicos foram calculados no processo de elaboração do inventário por equipes de dezenas de instituições, e envolvendo centenas de pesquisadores e especialistas.

Elaboração das estimativas passo a passo

Para cada setor foi montada uma rotina de cálculo que reproduz o trabalho do inventário para cada um dos anos reportados (ex. 1990, 1994, 2000, 2005, 2010). Em seguida, buscam-se os dados de atividade que permitam estimar a evolução das emissões considerando-se os fatores de emissão do inventário. São consultadas dezenas de instituições públicas e privadas para se obter acesso a dados de atividades.

Para assegurar a possibilidade de repetição das estimativas calculadas por qualquer interessado, só são utilizados dados obtidos de forma pública e gratuita, incluindo-se dados disponíveis através da internet ou em bibliotecas de acesso público.

Quando os dados de atividade não estão disponíveis ou estão incompletos, são utilizadas estratégias diversas para obter as estimativas, incluindo-se a busca de valores de referência, linhas de tendência, correlação com dados de outras atividades, dentre outros.

Cada equipe passou pelos seguintes etapas básicas:

1º. Revisão da Metodologia IPCC e do Inventário, incluindo a leitura de todos os relatórios de referência preparados para o 3o inventário.

2º. Recomposição das tabelas de cálculo do Inventário para compreender e testar a forma de aplicação dos fatores de emissão. No processo, foram refeitas as planilhas e os sistemas de cálculo, usando-se os dados-base do 2º e 3º Inventários, com o objetivo de replicar os dados de acordo com a descrição metodológica dos relatórios de referência.

3º. Levantamento de dados de atividade e de componentes de atualização para os fatores de emissão. O objetivo é de levantar as informações atualizadas, sempre que possível, junto às mesmas fontes do Inventário, desde que os dados estejam disponíveis gratuitamente.

4º. Identificação de lacunas de dados e definição de fórmulas auxiliares de cálculo para preenchimento das lacunas. Onde faltam os dados necessários para utilizar o fator de emissão no formato original, são utilizados fatores de emissão auxiliares, geralmente por meio de análise de correlação de emissões e nível de atividade, tendo como base os dados do Inventário. Nesta fase se define também os critérios de alocação das emissões para os estados.

5º. Apresentação e validação da metodologia e dos dados, em seminários técnicos, realizados com os especialistas e os técnicos das instituições-membros do Observatório do Clima, com objetivo de revisar as diferentes etapas do trabalho.

6º. Revisão e análise da qualidade dos dados. Ao final, todos os dados são avaliados segundo a qualidade dos fatores de emissão e dos dados de atividade utilizados. São identificados pontos que devem se melhorados em futuros levantamentos, incluindo-se uma revisão de métodos e dados por especialistas de diferentes setores.

Alocação por Estados e Distrito Federal

Desde a versão 2.0, lançada em 2014, o SEEG inclui a alocação de estimativas de emissões por estados e Distrito Federal, sempre que possível. A proporção de emissões que puderam ser alocadas vem crescendo a cada versão. No SEEG 4.0, para o ano de 2015 foi possível a alocação de 96,4% das emissões brasileiras por estados e Distrito Federal. Apenas 3,6% das emissões não foram alocados.

Para a alocação das emissões por unidades da Federação, são utilizados como referencia as atividades geradoras de emissões (ex. ocorrência de desmatamento, consumo de combustíveis para transporte, produção industrial etc.). Notas metodológicas detalham como foi gerada a alocação em cada item de emissão estimado.

Escopo de Gases de Efeito Estufa

As estimativas incluem as emissões de todos os gases previstos nos Inventários incluindo o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que respondem por mais de 99% das emissões em carbono equivalente (CO2e) e outros como HFCs.

GWP ou GTP?

Existem duas abordagens principais para determinação do carbono equivalente: o GWP (Global Warming Potential) e o GTP (Global Temperature Change Potential). O primeiro considera a influência dos gases na alteração do balanço energético da Terra e, o segundo, a influência no aumento de temperatura. Ambos são medidos para um prazo de 100 anos, sendo mais comumente utilizado o GWP.

Por exemplo, 1 tonelada de metano (CH4) corresponde a 21 toneladas de carbono equivalente (CO2e) GWP-100 (IPCC AR2) ou 5 toneladas de CO2e GTP. A tabela abaixo mostra as equivalências para os gases de efeito estufa incluídos nas estimativas deste estudo.

Na base de dados disponível no portal do SEEG do OC podem ser encontrados todos os dados também em CO2e GTP tanto pela métrica do segundo relatório do IPCC (AR2) como do quarto e quinto relatórios do IPCC (AR4 e AR5).

A possiblidade de obter os dados nestas diferentes métrica é importante para poder fazer analises e comparações com o 3o Inventário (usa IPCC AR2), INDC brasileira (usa IPCC AR5), inventários de países desenvolvidos (usa IPCC AR4).

Tabela: Equivalência em carbono GWP e GTP (IPCC AR2)

Gás GTP-100 GWP-100
CO2

1

1

CH4

5

21

N2O

270

310

HFC-125

1.113

2.800

HFC – 134a

55

1.300

HFC – 143a

4.288

3.800

HFC – 152a

0

140

CF4

10.052

6.500

C2F6

22.468

9.200

SF6

40.935

23.900

Tabela: Equivalência em carbono GWP e GTP (IPCC AR5)

Gás GTP-100 GWP-100
CO2

1

1

CH4

4

28

N2O

234

265

HFC-125

12,700

12,400

HFC – 134a

94

677

HFC – 143a

967

3,170

HFC – 152a

201

1,300

CF4

2,500

4,800

C2F6

19

138

SF6

8,040

6,630

Emissões Brutas e Líquidas

As estimativas de emissões brutas de gases do efeito estufa não consideram a remoção de dióxido de carbono pelas mudanças de uso do solo, isto é, a quantidade de gases de carbono fixados pelo crescimento da vegetação. Quando há desconto das remoções, as estimativas são de emissões líquidas (emissões menos remoções).

As diretrizes do IPCC para inventários nacionais preveem a contabilização, para fins de inventário, das emissões e remoções antrópicas de gases de efeito estufa. No inventário brasileiro, além de considerar restauração de florestas, regeneração de pastos e outros como sumidouros de carbono, foram considerados como remoção antrópica os aumentos de estoques de carbono em florestas naturais quando localizadas em unidades de conservação ou terras indígenas.

Na realidade, florestas não protegidas podem capturar CO2, se estiverem em processo de renovação natural, assim como florestas dentro de áreas protegidas podem emitir CO2, se estiverem em processo de degradação. Pelo enorme volume que pode representar – quase 400 milhões de toneladas de CO2 ou 20% das emissões atuais – esta definição gera uma distorção nos dados de emissões.

A partir de uma abordagem conservadora, a opção do OC foi priorizar a divulgação dos dados SEEG com emissões brutas. Na consulta da base de dados na internet estão disponíveis também as estimativas de remoção segundo o critério utilizado no 3º inventário brasileiro de emissões. Com ele é possível estimar as emissões líquidas de GEE no Brasil.

Nas estimativas do SEEG também não foi incorporado o desconto pelos certificados de redução de emissões oriundos de projetos de Mecanismo do Desenvolvimento Limpo (MDL). Os totais, no Brasil, no período de 2005 a 2014, somam cerca de 370 milhões de toneladas de CO2e (acumulado do período).

Emissões de Transporte Marítimo e Aéreo Internacional (Bunkers)

Também foram calculadas em separado (disponível para consulta na base de dados do site) os dados de emissões por transporte internacional marítimo e aéreo que, por regra, devem ser reportados em separado, pois referem-se a emissões com responsabilidade de mais de um país. Estes dados são tratados na base de dados como “bunker” ou emissões internacionais.

Emissões e Remoções não contempladas no Inventário Nacional

O Inventario Nacional não considera as emissões e remoções de carbono no solo por práticas agrícolas. Como estas emissões e remoções são fundamentais na conta da INDC brasileira (compromissos no Acordo de Paris) a partir do SEEG 4.0 são apresentados cálculos em separado (disponível para consulta na base de dados do site) as emissões e remoções devido a qualidade do pasto (degradado ou bem manejado), aplicação de técnicas de plantio direto (que ajudam a capturar carbono no solo), plantações florestais e integração lavoura pecuária. Na base de dados os dados estão identificados como Emissões NCI e Remoções NCI (Não Contemplados no Inventário).

Emissões por diferentes arranjos setoriais

As emissões totais de gases do efeito estufa são computadas neste estudo nos cinco setores definidos pelas diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para inventários nacionais.

Com o objetivo de obter um retrato mais fiel e completo da representatividade de determinados setores da economia foi realizado um piloto de organização das informações das emissões para diferentes setores/atividades econômicas.

Acesse aqui as notas metodológicas detalhadas do SEEG 5.0