Metodologia

NOTAS METODOLÓGICAS

Para cada setor foi montada uma rotina de cálculo que reproduz o trabalho do inventário para cada um dos anos reportados (ex. 1990, 1994, 2000, 2005, 2010). Em seguida, buscam-se os dados de atividade que permitam estimar a evolução das emissões considerando-se os fatores de emissão do inventário. São consultadas dezenas de instituições públicas e privadas para se obter acesso a dados de atividades. Para assegurar a possibilidade de repetição das estimativas calculadas por qualquer interessado, são utilizados dados obtidos de forma pública e gratuita, incluindo dados disponíveis através da internet ou em bibliotecas de acesso público. Quando os dados de atividade não estão disponíveis ou estão incompletos, são utilizadas estratégias diversas para obter as estimativas, incluindo a busca de valores de referência, linhas de tendência, correlação com dados de outras atividades, dentre outros.

  1. Análise de metodologia e referências: Revisão da Metodologia IPCC e do Inventário, incluindo a leitura de todos os relatórios de referência preparados para o 3o inventário. 

  2. Refinamento de tabelas e sistemas: Recomposição das tabelas de cálculo do Inventário para compreender e testar a forma de aplicação dos fatores de emissão. No processo, são refeitas as planilhas e os sistemas de cálculo, usando os dados-base do Inventário, com o objetivo de replicá-los de acordo com a descrição metodológica dos relatórios de referência. 

  3. Levantamento de atividades e atualizações: Levantamento de dados de atividade e de componentes de atualização para os fatores de emissão. O objetivo é levantar as informações atualizadas, sempre que possível, junto às mesmas fontes do Inventário, desde que os dados estejam disponíveis pública e gratuitamente. 

  4. Identificação de lacunas e fórmulas auxiliares: Identificação de lacunas de dados e definição de fórmulas auxiliares de cálculo para preenchimento das lacunas. Onde faltam os dados necessários para utilizar o fator de emissão no formato original, são utilizados fatores de emissão auxiliares, geralmente por meio de análise de correlação de emissões e nível de atividade, tendo como base os dados do Inventário. Nesta fase também se definem os critérios de alocação das emissões para os estados.

  5. Apresentação e validação em seminários técnicos: Apresentação e validação da metodologia e dos dados em seminários técnicos realizados com especialistas e técnicos das instituições-membros do Observatório do Clima com objetivo de revisar as diferentes etapas do trabalho.

  6. Revisão e análise da qualidade dos dados: Ao final, todos os dados são avaliados segundo a qualidade dos fatores de emissão e dos dados de atividade utilizados. São identificados pontos que devem se melhorados em futuros levantamentos, incluindo uma revisão de métodos e dados por especialistas de diferentes setores.

Desde a versão 2.0, lançada em 2014, o SEEG inclui a alocação de estimativas de emissões por estados e Distrito Federal. A proporção de emissões que puderam ser alocadas vem crescendo a cada versão. No SEEG 9.0, para o ano de 2020, foi possível a alocação de 96% das emissões brasileiras por estados e Distrito Federal. Apenas 4% das emissões não foram alocados. Para a alocação das emissões por unidades da Federação são utilizados como referência as atividades geradoras de emissões (ex. ocorrência de desmatamento, consumo de combustíveis para transporte, produção industrial etc.). As Notas Metodológicas a seguir detalham como foi gerada a alocação em cada item de emissão estimado.

As estimativas incluem as emissões de todos os gases previstos nos Inventários incluindo o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que respondem por mais de 99% das emissões em carbono equivalente (CO2e) e outros como HFCs. Existem duas abordagens principais para determinação do carbono equivalente: o GWP (Global Warming Potential) e o GTP (Global Temperature Change Potential). O primeiro considera a influência dos gases na alteração do balanço energético da Terra. O segundo, a influência no aumento de temperatura. Ambos são medidos para um prazo de 100 anos, sendo mais comumente utilizado o GWP. Na base de dados disponível no portal do SEEG do OC podem ser encontrados todos os dados também em CO2e GTP tanto pela métrica do quinto relatório do IPCC (AR5) como do segundo e quarto relatórios do IPCC (AR2 e AR4). A possibilidade de obter os dados nestas diferentes métricas é importante para poder fazer análises e comparações com o 3º Inventário (usa IPCC AR2), NDC brasileira (usa IPCC AR5), inventários de países desenvolvidos (usa IPCC AR4).

Tabela: Equivalência em carbono GWP e GTP (IPCC AR2)

Gás GTP-100 GWP-100
CO2 1 1
CH4 5 21
N2O 270 310
HFC-125 1113 2800
HFC-134a 55 1300
HFC-143a 4288 3800
HFC-152a 0 140
CF4 10052 6500
C2F6 22468 9200
SF6 40935 23900

Tabela: Equivalência em carbono GWP e GTP (IPCC AR5)

Gás GTP-100 GWP-100
CO2 1 1
CH4 4 28
N2O 234 265
HFC-125 967 3170
HFC-134a 201 1300
HFC-143a 2500 2800
HFC-152a 19 138
CF4 8040 6630
C2F6 13500 11100
SF6 28200 23500

As estimativas de emissões brutas de gases do efeito estufa não contemplam a remoção de dióxido de carbono pelas mudanças de uso do solo, ou seja, a quantidade de gases de carbono fixados pelo crescimento da vegetação. Ao descontar essas remoções, as estimativas se transformam em emissões líquidas (emissões menos remoções). As diretrizes do IPCC para inventários nacionais preveem a contabilização, para fins de inventário, das emissões e remoções antrópicas de gases de efeito estufa. No inventário brasileiro, além de considerar a restauração de florestas e regeneração de pastos como sumidouros de carbono, os aumentos de estoques de carbono em florestas naturais localizadas em unidades de conservação ou terras indígenas são considerados como remoção antrópica. É importante notar que florestas não protegidas podem capturar CO2 em processo de renovação natural, enquanto florestas dentro de áreas protegidas podem emitir CO2 se estiverem em processo de degradação. Dada a significativa quantidade envolvida – centenas de milhões de toneladas de CO2 -, essa definição pode distorcer os dados de emissões. Adotando uma abordagem conservadora, o Observatório do Clima optou por priorizar a divulgação dos dados SEEG com emissões brutas. Na base de dados online, também estão disponíveis estimativas de remoção segundo o critério do 3º inventário brasileiro de emissões, permitindo a estimativa das emissões líquidas de GEE no Brasil. Além disso, as estimativas do SEEG não incorporaram descontos pelos certificados de redução de emissões oriundos de projetos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Os totais no Brasil, no período de 2005 a 2014, somam cerca de 370 milhões de toneladas de CO2e (acumulado do período).

Também foram calculadas em separado (disponível para consulta na base de dados do site) os dados de emissões por transporte internacional marítimo e aéreo que, por regra, devem ser reportados em separado, pois referem-se a emissões com responsabilidade de mais de um país. Estes dados são tratados na base de dados como “bunker” ou emissões internacionais.

O Inventário Nacional não considera as emissões e remoções de carbono no solo por práticas agrícolas. Como essas emissões e remoções são fundamentais na conta da NDC brasileira (compromissos no Acordo de Paris) a partir do SEEG 4.0 são apresentados cálculos em separado (disponível para consulta na base de dados do site) as emissões e remoções devido a qualidade do pasto (degradado ou bem manejado), aplicação de técnicas de plantio direto (que ajudam a capturar carbono no solo), plantações florestais e integração lavoura pecuária. Na base de dados, os mesmos estão identificados como Emissões NCI e Remoções NCI (Não Contemplados no Inventário).

As emissões totais de gases do efeito estufa são computadas neste estudo nos cinco setores definidos pelas diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para inventários nacionais. Com o objetivo de obter um retrato mais fiel e completo da representatividade de determinados setores da economia foi realizado um piloto de organização das informações das emissões para diferentes setores/atividades econômicas.

Até o SEEG 7.0 as estimativas de emissões e remoções por mudanças de uso da terra utilizam dados de desmatamento como proxy para as emissões devido a ausência de dados anuais e atualizados de mudança de uso da terra no Brasil. O projeto MapBiomas, outra iniciativa do Observatório do Clima, publicou em 2018 mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil de 1985 a 2017. Com base neles, a equipe do SEEG testou calcular as estimativas de emissões e remoções de GEE com base nas matrizes de transição derivadas dos mapas do MapBiomas e os fatores de emissão do 3º Inventário. A partir do SEEG 8.0 foi adotado o método da matriz de transição com dados do MapBiomas como método padrão das estimativas de emissões. Os dados com o método do desmatamento como proxy continuam sendo calculados e disponibilizados como opção para os usuários com o nome Emissões ou Remoções Proxy. No caso de municípios utiliza-se apenas o método padrão.

Data da última atualização: 22/12/2023.

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